A Diferença entre Sentir e Reagir
Sentir uma onda de irritação, tristeza profunda ou ansiedade a crescer dentro de nós e, de imediato, tentar empurrá-la para o fundo da nossa mente é uma das experiências mais universais e humanas. Dizemos a nós próprios para "passar à frente", focar noutra coisa ou fingirmos que está tudo bem. No entanto, a psicologia demonstra o oposto: há uma diferença entre gerir e regular o que sentimos e reprimir as nossas emoções. A forma como escolhemos lidar com o desconforto dita não só a nossa estabilidade mental, mas também a nossa saúde física.
Na psicologia, quando estudamos a forma como lidamos com o que sentimos, olhamos para duas estratégias muito comuns, mas com caminhos totalmente opostos: ou tentamos travar a manifestação daquilo que sentimos, ou tentamos mudar a nossa narrativa sobre o problema, olhando para ele com outra perspetiva. O impacto biológico de cada uma destas decisões no nosso corpo não podia ser mais diferente.
O Preço Biológico de Reprimir as Emoções
Embora a supressão das nossas emoções possa parecer uma estratégia eficaz a curto prazo, a neurobiologia mostra que o preço a pagar é altíssimo. Tentamos não chorar, não demonstrar raiva ou esconder o medo. Mas quando reprimimos uma emoção, o estímulo emocional continua vivo dentro do cérebro. Como a energia não é processada, o corpo reage ativando fortemente o sistema nervoso simpático — o nosso modo de "luta ou fuga". Na prática, acabamos por experienciar um aumento da frequência cardíaca, uma maior tensão muscular e picos de stresse. Clínicamente, a supressão crónica das emoções está diretamente associada a perturbações de ansiedade, comportamentos impulsivos por comida e isolamento. Reprimir não cura, apenas adia e amplifica a dor.
Por outro lado, a mudança de perspetiva — que é um dos pilares centrais da Terapia Cognitivo-Comportamental — atua muito antes de a emoção transbordar. Esta estratégia consiste em reinterpretar o significado de uma situação stressante antes que ela ative um alarme biológico destrutivo. Não se trata de negar a realidade, trata-se de uma capacidade de flexibilidade mental. Perante um obstáculo diário, a mudança de narrativa permite-nos parar e avaliar o cenário sob novas perspetivas: "Isto é um ataque pessoal ou esta pessoa está apenas a ter um dia difícil?" ou "Isto é um fracasso absoluto ou apenas um problema contornável?". Ao mudarmos a narrativa sobre o evento, mudamos a reação química no nosso cérebro. Essa mudança de foco ajuda a desarmar aquela sensação de aperto e pânico imediato, sem nos obrigar a invalidar a nossa dor ou a forçar um positivismo falso. O segredo está aqui: permitimos que a emoção exista e seja sentida, mas deixamos de lhe dar as rédeas da nossa vida.
O Papel da Psicoterapia no Treino da Regulação Emocional
Na psicoterapia, a verdadeira intervenção clínica consiste em ensinar ao paciente a tolerar o desconforto sem fugir dele. Quando aprendemos a desenvolver estratégias de regulação emocional em psicoterapia, aprendemos a criar um espaço de consciência entre o estímulo e a resposta. É a transição crucial entre o sentir e o reagir. Neste processo, o primeiro passo passa por diminuir o sentimento de culpa, ajudando a compreender que sentir ansiedade ou frustração é uma reação natural do corpo, e não uma fraqueza. Com o tempo e com o treino de reparar no que se passa dentro de nós, passamos a conseguir olhar para a nossa tempestade interna com algum distanciamento, vendo a intensidade a subir sem entrarmos em pânico. Em vez de procurarmos um alívio rápido — como um doce ou um grito —, passamos a tolerar esse desconforto passageiro, respirando fundo e decidindo o que é melhor para nós a longo prazo.
Regular as emoções é, no fundo, aprender a ser o comandante do próprio barco em dias de tempestade; não podemos impedir as ondas de surgir, mas podemos escolher o rumo da nossa viagem através da tempestade.

Referências:
Beck, J. S. (2020). Cognitive behavior therapy: Basics and beyond (3rd ed.). The Guilford Press.
Cutuli, D. (2014). Cognitive reappraisal and expressive suppression strategies role in the emotion regulation: an overview on their neurofunctional correlates and clinical implications. Frontiers in Systems Neuroscience, 8, 175.
Gross, J. J. (2015). Emotion regulation: Current status and future prospects. Psychological Inquiry, 26(1), 1-26.
Nota: As ilustrações deste artigo foram criadas com o auxílio do Google Gemini.
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